CÓMO CITAR ESTE ARTÍCULO: Borges, M. L., Veadrigo Irber, F., Rosa de Souza, C. y Couri, G. C. (2025). Memórias do protagonismo feminino em uma cooperativa de reciclagem de Canoas/Brasil.  Otra Economía, 18(34), 64-76.

Memórias do protagonismo feminino em uma cooperativa de reciclagem de Canoas/Brasil

Memorias del protagonismo femenino en una cooperativa de reciclaje de Canoas/Brasil

Memories of female protagonism in a recycling cooperative in Canoas/Brazil

Maria de Lourdes Borges

maluborg@gmail.com
Universidade La Salle, Brasil
ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-1277-5773

Fernanda Veadrigo Irber

fernanda.irber18@gmail.com
Universidade La Salle, Brasil
ORCID:
https://orcid.org/0009-0000-9565-862X

Camile Rosa de Souza

camilecruz999@gmail.com
Universidade La Salle, Brasil
ORCID:
https://orcid.org/0009-0002-4828-6442

Grayce de Castro Couri

grayce.202210223@unilasalle.edu.br
Universidade La Salle, Brasil
ORCID:
https://orcid.org/0009-0006-6860-0370

Recibido: 05/05/2025 - Aceptado: 27/10/2025

Resumo: O objetivo deste estudo é analisar o protagonismo feminino em uma cooperativa de reciclagem gaúcha de Canoas (Brasil) a partir das relações estabelecidas entre as mulheres catadoras. Utilizou-se a metodologia qualitativa inspirada em um delineamento netnográfico. Os dados empíricos referem-se a um repositório de memórias provenientes de narrativas do Instagram de uma cooperativa de reciclagem gaúcha. Por meio da Análise Temática organizou-se os dados nos temas: protagonismo feminino como fator de inclusão e diversidade; independência e estabilidade financeira como promotores de empoderamento feminino; rede de apoio como mecanismo de proteção para as desigualdades sociais. Os resultados evidenciam que a cooperativa revelou-se um espaço de diversidade e inclusão, promovendo a construção de redes de apoio, ampliando recursos de enfrentamento, satisfação e saúde mental. Ademais, verificou-se que a cooperativa pode servir como via de acesso para o empoderamento feminino através da busca constante pela superação do papel de subordinação e do fortalecimento da autoestima, promovendo o desenvolvimento econômico e o protagonismo do gênero feminino no contexto estudado. As limitações e sugestões de futuras pesquisas são apresentadas nas considerações finais.

Palavras-chave: protagonismo feminino, diversidade, saúde mental.

Resumen: El objetivo de este estudio es analizar el protagonismo femenino en una cooperativa de reciclaje de Canoas, Rio Grande do Sul (Brasil), a partir de las relaciones que se establecen entre las recicladoras. Se utilizó una metodología cualitativa inspirada en un diseño etnográfico. Los datos empíricos se refieren a un repositorio de memorias de las cuentas de Instagram de una cooperativa de reciclaje en Rio Grande do Sul. A partir del análisis temático, los datos se organizaron en los siguientes temas: protagonismo femenino como factor de inclusión y diversidad; independencia y estabilidad financiera como promotores del empoderamiento femenino; y red de apoyo como mecanismo de protección contra las desigualdades sociales. Los resultados de los datos analizados muestran a la cooperativa como un espacio para la diversidad y la inclusión, promoviendo la construcción de redes de apoyo, ampliando los recursos de afrontamiento, satisfacción y salud mental. Además, la cooperativa puede servir como una vía de acceso al empoderamiento femenino a través de la búsqueda constante de la superación del rol de subordinación y del fortalecimiento de la autoestima, promoviendo el desarrollo económico y el protagonismo de las mujeres en el contexto estudiado. Limitaciones y sugerencias de futuras investigaciones se presentan en consideraciones finales.

Palabras clave: protagonismo femenino, diversidad, salud mental.

Abstract: The objective of this study is to analyze female protagonism in a recycling cooperative in Canoas Rio Grande do Sul (Brazil), based on the relationships established between women waste pickers. A qualitative methodology inspired by a netnographic design was used. The empirical data refers to a repository of memories from the Instagram accounts of a recycling cooperative in Rio Grande do Sul. Using thematic analysis, the data was organized into the following themes: female protagonism as a factor of inclusion and diversity; independence and financial stability as promoters of female empowerment; and a support network as a protective mechanism against social inequalities. The results show that the cooperative proved to be a space for diversity and inclusion, promoting the construction of support networks, expanding coping resources, satisfaction and mental health. In addition, the cooperative was seen as an access route to female empowerment through the constant search to overcome the role of subordination and strengthen self-esteem, promoting economic development and the leading role of women in the context in question. The limitations and suggestions for future research are only presented in the final considerations.

Keywords: female protagonism, diversity, mental health.

Introdução

O objetivo deste estudo é analisar o protagonismo feminino em uma cooperativa de reciclagem, localizada no município de Canoas, no Rio Grande do Sul (Brasil), a partir das relações estabelecidas entre as mulheres catadoras.

De acordo com Barata (2009), na metade do século XX, a partir da ressignificação de determinadas lutas, a discussão sobre gênero entra em pauta no movimento feminista. Assim, por meio dos processos de resistência feministas, tornou-se possível o protagonismo das mulheres nos diversos contextos da sociedade, incluindo as organizações de trabalho.

Apesar da conquista feminina no mercado de trabalho, Barata (2009) problematiza os cargos e serviços ocupados pelo gênero feminino. Para a autora, embora esses cargos e serviços tenham se tornado protetores para a saúde mental, quando comparados com as ocupações remuneradas masculinas, eles não valorizam a capacidade feminina. Os empregos destinados ao segmento feminino apresentam características mais monótonas, com pouca autonomia, relações trabalhistas precárias e baixas chances de progressão de carreira, o que facilita a prevalência de problemas psicológicos e emocionais.

Souza et al. (2020) afirmam que uma organização que pratica a inclusão e a diversidade não só contrata diferentes grupos em sua equipe, mas trata todos igualmente, não se limitando a um padrão constituído de estereótipos e pré-conceitos, visto que a diversidade configura-se como um espaço no qual identifica-se nos seus integrantes múltiplas e diferentes características, relacionadas à cultura, religião, política, etnia-racial, entre outras.

Para Hanashiro e Carvalho (2013), com a inclusão de grupos sociais minoritários e frequentemente marginalizados, a gestão da diversidade cultural objetiva a valorização das diferenças. Essa manobra contribui positivamente para as atividades desenvolvidas na organização, ao passo que possibilita a criação de um ambiente de acolhimento e aceitação das singularidades de cada um, promovendo a incorporação de diferentes habilidades, da identificação grupal, e por fim, do sentimento de justiça (Hanashiro e Carvalho, 2013).

Para Cineglaglia et al. (2021), a perspectiva do trabalho informal emerge como uma alternativa que permite a inserção das mulheres no mercado de trabalho trazendo como consequência a união entre elas. Nesse sentido, as cooperativas de reciclagem, que operam sob os princípios da economia solidária, se destacam como espaços significativos para a atuação das mulheres, configurando-se, segundo Paiva (2017), como um setor de ocupação informal, autônomo e sem vínculo empregatício.

As trajetórias das cooperativas de reciclagem no município de Canoas, no Rio Grande do Sul, são marcadas pela união entre os cooperados para superar adversidades e se reinventar em um contexto de vulnerabilidade. Elas são organizações formadas, em sua maioria, por pessoas provenientes da catação individual, que realizam coletivamente o trabalho de coleta, separação, prensagem e venda de materiais recicláveis. Além da geração de renda, elas desempenham um importante papel na gestão de resíduos sólidos urbanos, baseadas nos princípios da economia solidária, destacando o cooperativismo e a autogestão. São constituídas por grupos que mantêm fortes vínculos comunitários e de ajuda mútua, uma vez que a maioria das pessoas apresenta baixa empregabilidade, por isso dependem de contratos e parcerias com prefeituras para a coleta seletiva (Gross et al., 2015).

Essas organizações começaram a se formar a partir da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), a qual passou a responsabilidade pela gestão dos resíduos sólidos aos municípios, incentivando a participação dos catadores neste processo. Por sua vez, o Decreto Estadual 53.304/2016 e a Lei Estadual 15.432/2020 enfatizam a importância de priorizar que a gestão dos resíduos sólidos nos municípios seja realizada pelas cooperativas de reciclagem em contrato com as prefeituras. As cooperativas brasileiras são regidas pela Lei nº 5.764/71 (Política Nacional do Cooperativismo), as quais são caracterizadas pela natureza jurídica de sociedade civil, sem fins lucrativos, com a finalidade de benefício mútuo dos cooperados. Além disso, cada membro tem direito a um voto. Com relação aos resultados, denominados sobras, eles são distribuídos proporcionalmente entre os associados. Adicionalmente, cada cooperado contribui com 20% sobre a remuneração com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) acessando o direito à aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade entre outros (Instituto Nacional do Seguro Social , 2024). Segundo o Anuário da Reciclagem (2024) o Brasil tinha registradas 3.028 cooperativas de materiais recicláveis, sendo 253 no Rio Grande do Sul (6.900 catadores cooperados) e 8 no município de Canoas (205 catadores cooperados). No Rio Grande do Sul foram recuperados 122,5 mil toneladas de resíduos (Anuário da Reciclagem, 2024).

As cooperativas de reciclagem buscam trabalhar seguindo os princípios da economia solidária. A economia solidária é considerada um meio alternativo de produção, pelo qual esses empreendimentos atuam com base na autogestão, na igualdade, na liberdade, na autonomia e no comprometimento social e coletivo (Andrade, 2023).

Para este estudo, foi realizada uma pesquisa exploratória, em que foi analisado um repositório de memórias de uma cooperativa de reciclagem gaúcha de Canoas (Brasil) responsável pela coleta compartilhada de resíduos sólidos urbanos junto às demais cooperativas do município.

1. As mulheres no contexto das cooperativas de reciclagem

De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores e das Catadoras de Materiais Recicláveis (MNCR), a predominância de mulheres nas associações e cooperativas de reciclagem chega a 70% (Ferreira et al., 2023). O dado aponta uma prevalência maior da participação feminina nesse setor da economia, o que pode ser decorrente de inúmeros fatores sociais e econômicos. Dentre esses fatores, destaca-se o ingresso da mulher no mercado de trabalho como um meio de subsistência, e a desigualdade de gênero pela qual as mulheres acabam sofrendo ao se inserir no mercado informal por falta de oportunidade no setor formal.

Nesse contexto, as catadoras fazem parte da população trabalhadora em que as condições empregatícias e de vida são reflexos das desigualdades sociais e econômicas. Pode-se considerar que as condições de trabalho resultam de fatores multidimensionais ao ponto que a precariedade do trabalho é correlacionada à baixa escolaridade, às formas de violência, à miséria e à moradia precárias dessas mulheres (Ferreira et al., 2023).

Por meio dos princípios de autogestão, democracia, igualdade e participação, identificados em contextos pautados pela economia solidária, a mulher encontra uma via de acesso para seu empoderamento diante da sociedade (Cineglaglia et al., 2021). Entende-se que as cooperativas funcionam como agentes da transformação social, possibilitando que mulheres se desenvolvam economicamente e afirmem seu espaço na sociedade. Ademais, tendo em vista a presença majoritária de mulheres dentro das cooperativas de reciclagem (Ferreira et al., 2023), compreende-se que esse contexto proporciona o engajamento feminino na geração de renda, abrindo espaço para a mobilização e protagonismo das catadoras.

Conforme Roso e Romanini (2014), o empoderamento surge no Brasil por volta de 1970 como uma forma de lutar pelos direitos civis e pela independência a partir da superação do papel de subordinação, fortalecendo a autoestima e desenvolvendo maior capacidade de se adaptar aos diferentes contextos, bem como a criação de meios de autoajuda e solidariedade. Esse processo transforma grupos sociais através da conquista de autoridade sobre decisões e ações, independente da determinação de poder de instituições e entidades que se colocam em posições superiores (Simon e Boeira, 2017).

Dessa forma, a economia solidária surge como um cenário propício para o desenvolvimento de coletivos femininos, uma vez que as atividades econômicas pautadas em políticas de caráter associativo foram pensadas como uma possível estratégia de resposta ao problema de desemprego estrutural (Souza, 2011). Nesse sentido, surgem iniciativas econômicas coletivistas e fundamentadas em princípios de igualdade e democracia.

Para Simon e Boeira (2017), o empoderamento feminino caracteriza-se pela resistência à discriminação politica e social, fatores estes que impedem o exercicio de cidadania do genêro feminino. Segundo os autores, a conscientização acerca dos processos de discriminação, especialmente de gênero, seria o fundamento para que as mulheres conquistem o empoderamento feminino, desnaturalizando esse contexto e propondo-se a transformá-lo.

As cooperativas de reciclagem também podem ser espaços formadores de vínculos de afetividade e reciprocidade, em que as catadoras se fortalecem para enfrentar as adversidades do seu contexto diário e batalhar para que seus direitos sejam respeitados (Paiva, 2017). Logo, faz-se notória a importância da inserção das mulheres em coletivos nos quais elas são protagonistas, permitindo o compartilhamento das dificuldades enfrentadas pelo gênero feminino, seja na vida pessoal ou profissional, criando vínculos que se constituem como uma rede de apoio. Para Brito e Koller (1999), a rede de apoio conecta a pessoa com o meio social, do qual advém os grupos sociais. Os vínculos formados possibilitam o desenvolvimento de recursos referentes à proteção e ao enfrentamento de situações percebidas como desafiadoras.

Além disso, as cooperativas caracterizam-se como um espaço intersectorial, no qual mulheres negras, imigrantes, transexuais, entre outras, compartilham seus saberes e suas práticas no contexto grupal, como sujeitos epistêmicos. Assim, essas mulheres passam a reconhecer e legitimar, entre si, os seus conhecimentos e experiências, como formas potentes de saber providos de culturas que, muitas vezes, são oprimidas pela racionalidade eurocêntrica (Silva e Wanderley, 2022).

Neste sentido, o entendimento de interseccionalidade pode ajudar a compreender estas relações. Para Akotirene (2019), a interseccionalidade é uma abordagem analítica que leva em consideração as interações entre diferentes relações de opressão como raça, gênero e classe social, que se somam, impactando negativamente sobre a vida de mulheres diversas. A desigualdade social é percebida, portanto, como multifacetada, na qual existem diversas camadas de discriminação que são diariamente enfrentadas por essas mulheres (Akotirene, 2019).

Ao reconhecer a relevância das cooperativas de reciclagem como alternativa para as mulheres ingressarem no mercado de trabalho, evidencia-se sua importância no empoderamento feminino por meio do protagonismo das mulheres nesse setor, assim como a criação de uma rede de apoio no contexto de trabalho. Portanto, torna-se pertinente o estudo de como ocorre o protagonismo e o processo de empoderamento das catadoras nos espaços das cooperativas, podendo gerar como consequência o feminismo comunitário.

Em seguida, é apresentada a descrição da metodologia utilizada e, por fim, os resultados e conclusões das análises do repositório de memórias.

2. Procedimentos metodológicos

A natureza da presente pesquisa é exploratória, pois buscou compreender evidências de protagonismo feminino em uma cooperativa de reciclagem gaúcha a partir das relações estabelecidas entre as mulheres catadoras. Para isso, inspira-se metodologicamente em um delineamento netnográfico, o qual adapta procedimentos éticos de observação ao avanço das tecnologias digitais (Soares e Stengel, 2021). Kozinets (2014) caracteriza a netnografia em cinco fases, nesta pesquisa, inicialmente executou-se a caracterização do problema, posteriormente a definição da conta do Instagram a ser estudado, em seguida o contato com a cooperativa identificada e a respectiva autorização para a pesquisa, prosseguindo com a coleta de dados (todos os 8 vídeos apresentados na série “Um pouco da minha história”), análise e interpretação das informações articuladas com aspectos teóricos.

A inspiração netnográfica foi utilizada, pois os dados empíricos para esta pesquisa referem-se a dados secundários provenientes de um repositório de memórias (reels) de uma cooperativa de reciclagem de Canoas/RS, constando de uma série de oito vídeos de livre acesso na conta do Instagram desta cooperativa. Com relação às interações das autoras com os sujeitos pesquisados, elas posicionaram-se em uma perspectiva contrária ao insider (aquele que mantém contato direto com os sujeitos), caracterizada como lurker (observador silencioso) e, no caso deste artigo, não foram vistas pelos pesquisadores, uma vez que somente tiveram contato com o material disponível na conta do Instagram da cooperativa em questão (Polivanov, 2013). Além disso, as autoras receberam autorização do responsável pela cooperativa a respeito da pesquisa e também das participantes para analisar o conteúdo dos vídeos liberados ao público, por meio da assinatura em Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, comprometendo-se com o anonimato dos participantes, aspectos que foram seguidos. Salienta-se que os vídeos serviram ao propósito de compartilhar, de forma simples e abrangente, os avanços que o trabalho na cooperativa trouxe aos cooperados. Foram analisados todos os vídeos da série disponibilizados, perfazendo um total de 8 reels. Ressalta-se que os vídeos foram gravados por diferentes trabalhadores da cooperativa durante o mês de abril de 2024, evidenciando distintas perspectivas dos cooperados com relação aos impactos positivos do trabalho na vida de cada indivíduo. Observa-se que os vídeos analisados fazem parte de uma série denominada “Um pouco da minha história”, publicados na conta do Instagram da cooperativa com o objetivo de socializar os avanços que as cooperadas tiveram em suas vidas a partir do trabalho na cooperativa e diminuir a invisibilidade do trabalho da catadora de reciclagem. Em função desse objetivo, os depoimentos voltam-se para aspectos positivos vivenciados pelas cooperadas na cooperativa, o que significa uma limitação deste trabalho. A limitação refere-se ao viés de desejabilidade social, o qual consiste em prover respostas socialmente desejáveis em entrevistas e/ou pesquisas (Bispo Júnior, 2022).

Salienta-se que a cooperativa de reciclagem, contexto deste estudo, iniciou em 1976 enquanto um grupo de catadores individuais que realizavam o trabalho de catação de materiais recicláveis no antigo lixão do município, em uma zona urbana marginalizada. Em 2001, o grupo de catadores formou a primeira associação. Em 2011 foi realizada a migração para o regime de cooperativa, com a finalidade de preencher critérios para assinar Contrato de Prestação de Serviços de Coleta Seletiva com a Prefeitura Municipal de Canoas. Atualmente são 25 pessoas cooperadas, sendo 18 mulheres, sendo duas transexuais, configurando 72%. A cooperativa recolhe, em média 50 toneladas de materiais recicláveis mensalmente, realiza a triagem, separação, enfardamento e venda para empresas recicladoras. Cada cooperado recebe, em média, um valor mensal equivalente a 360 dólares americanos.

A escolha desta cooperativa para o estudo deve-se ao critério de antiguidade, pois é o grupo de catadores mais antigo do município, com 49 anos em 2025. Outro critério foi o de acessibilidade aos dados, pois o conteúdo dos reels veio ao encontro dos estudos do grupo de pesquisa das autoras de maneira naturalística, ou seja, por uma demanda interna da cooperativa.

Os dados foram analisados pela Análise Temática de Braun e Clarke (2006) através do método indutivo, pelo qual a observação dos vídeos das catadoras gerou a formulação das hipóteses de pesquisa. As narrativas utilizadas para esta análise são de catadoras que atuam como cooperadas há diferentes períodos de tempo. As trajetórias na cooperativa chegam a 13 anos de trabalho. As mulheres cooperadas possuem uma faixa etária que vai desde os 21 anos até os 46 anos de idade, configurando-se como um grupo composto por diferentes gerações.

Para a Análise Temática, seguiu-se as seis fases postuladas por Braun e Clarke (2006), nas quais ocorrem o processo de familiarização com os significados dos conteúdos, a formação de códigos iniciais, a análise e a revisão dos dados brutos, e a definição dos temas. Assim, a análise foi dividida em três temas, os quais contemplam como fundamentação base e intrínseca os aspectos relacionados ao protagonismo e ao empoderamento feminino. O primeiro tema enfatiza o protagonismo feminino como fator de inclusão e diversidade, em sequência são evidenciadas a independência e estabilidade financeira como promotores de empoderamento feminino e, por fim, a rede de apoio como mecanismo de proteção para as desigualdades sociais.

Por fim, foi desenvolvida a análise do significado dos dados, elucidando diversos recortes dos relatos das catadoras que condizem com o conteúdo definido para cada tema. Os resultados da análise serão apresentados a seguir.

3. Análise dos dados

Os vídeos analisados do Instagram da Cooperativa de Reciclagem retratam a percepção das catadoras em relação ao seu trabalho, elucidando as mudanças que a atuação na cooperativa proporcionou em suas vidas, bem como a sua experiência no contexto da reciclagem, contando sua história e enfatizando momentos marcantes e gratificantes que vivenciaram ao longo de sua trajetória na cooperativa. Logo, essas mulheres são consideradas, neste estudo, como promotoras de saber coletivo, através do conhecimento comunitário construído pela troca de experiências com a diversidade feminina no ambiente de trabalho (Silva e Wanderley, 2022; Souza et al., 2020).

3.1 Protagonismo feminino como fator de inclusão e diversidade

Foi observado nos relatos a inclusão e a diversidade como fatores fundamentais para a realização do trabalho na cooperativa de reciclagem. Souza et al. (2020) caracterizam o conceito de diversidade como algo múltiplo e diferente. Logo, para os autores, a diversidade configura-se como inúmeras características diferentes da maioria das pessoas em seu contexto cultural, religioso, político, étnico-racial, entre outros.

Uma das catadoras relata o acolhimento do grupo ao ingressar na cooperativa, comparando com outros locais em que atuou profissionalmente, percebendo aceitação e não preconceitos e estereótipos, especialmente por se identificar como uma mulher transexual.

A minha vida mudou bastante depois que eu vim trabalhar aqui na cooperativa [...] Ah, o meu momento gratificante foi quando eu acabei entrando na cooperativa, pelo respeito, pela educação que elas tiveram por mim, por eu ser, né, uma mulher trans na cooperativa [...] Conforme outros serviços eu não tive tanto respeito como na cooperativa eu tive. (Excerto do Vídeo 1).

Outra catadora compartilha sobre a oportunidade de trabalhar na cooperativa, tendo a chance de se estruturar financeiramente para que no futuro volte ao seu país de origem, a Venezuela. Com o seu relato, também é possível identificar a inclusão dos membros na cooperativa, criando um espaço de possibilidades e diversidade.

Fui para a cooperativa, um amigo me trouxe. E graças a Deus, a coordenadora, eles deram a oportunidade de trabalhar. E pelo menos está sendo ótimo. [...] Estamos encontrando muitas coisas que queríamos, estamos alcançando muitas metas, graças a Deus, e esperamos que cada dia seja melhor. E podemos dar um pouco mais porque ainda vamos voltar à Venezuela, mas no momento está sendo ótimo para ambos. (Excerto do Vídeo 3)

Em relação à diversidade no ambiente de trabalho, Souza et al. (2020) afirmam que uma organização que pratica a inclusão e a diversidade não só contrata diferentes grupos em sua equipe, mas tende a tratar todos igualmente, não se limitando a um padrão constituído de estereótipos e pré-conceitos. Logo, percebe-se que a cooperativa é um local com uma diversidade de pessoas, histórias e culturas, que, conforme as narrativas, não notam a formação de estereótipos construídos pela sociedade ao incluir novos membros em seu grupo, estando, segundo Ferreira et al. (2023), coerente com um dos princípios da economia solidária, a igualdade.

Evidencia-se a criação de um espaço em que o sentimento de justiça é estimulado, a partir da busca de aceitação de cada catadora em sua singularidade, indo além do âmbito individual e perpassando para o reconhecimento coletivo no qual a pessoa se identifica (Hanashiro e Carvalho, 2013). É por meio dessa dinâmica que as relações começam a pautar-se na equidade, promovendo o pertencimento ao grupo e o sentimento de solidariedade entre as cooperadas. Desse modo, pode-se considerar o sentimento de justiça como parte do vínculo coletivo, pelo qual torna-se um meio de empoderamento das catadoras, reforçando suas lutas e sua capacidade de enfrentar as desigualdades sociais, agindo como uma ferramenta de resistência e redefinindo seu papel no contexto social (Cineglaglia et al., 2021). Ademais, uma catadora cita que a democracia e a participação igualitária, princípios da economia solidária (Cineglaglia et al., 2021), fazem parte da prática na cooperativa: “[...] Eu gosto de trabalhar aqui, aqui a gente tem voz, aqui a gente pode dar a nossa opinião”. (Vídeo 2).

O princípio da democracia é manifestado como a voz ativa e a possibilidade de opinar no funcionamento da cooperativa, apontando o contexto de atuação das catadoras como um ambiente onde as decisões são feitas pelo coletivo, validando a participação de cada uma no gerenciamento do local de trabalho, fortalecendo o senso de pertencimento e, como consequência, reforçando o vínculo entre as mulheres (Cineglaglia et al., 2021; Paiva, 2017). No que se refere à participação igualitária, não muito distante do conceito de democracia, aponta para a possibilidade de as catadoras se perceberem como iguais no ambiente de trabalho, em um apoio mútuo de fortalecimento entre as mulheres, evidenciando a cultura circular e não hierárquica da economia solidária na cooperativa (Cineglaglia et al., 2021).

3.2 Independência e estabilidade financeira como promotores de empoderamento feminino

A estabilidade financeira e a independência proporcionadas pela atuação na cooperativa também foram identificadas na fala das mulheres, sendo relacionadas como uma forma de mudança em suas vidas, enfatizadas nas seguintes narrativas:

Depois que eu entrei na cooperativa “muita” coisas mudaram na minha vida [...] O que eu sou hoje em dia, eu sou independente, trabalho pra sustentar meus “filho” também…. (Excerto do Vídeo 2).
Trabalhando na cooperativa mudou muita coisa na minha vida […] adquirindo coisas [...] tanto como meu crescimento pessoal, como pessoa. Aprendi a ter mais visão das coisas, trabalhar com as pessoas, se colocar no lugar da outra pessoa. [...] A coleta seletiva, ela é muito importante, não só para o meio ambiente, mas também para as pessoas que trabalham nas cooperativas de reciclagem [...] e é o sustento da família é da renda desses materiais recicláveis. (Excerto do Vídeo 6).
O que mudou na minha vida na cooperativa foi alcançar meus objetivos, mudou que eu consegui agora ser mais independente, consegui conquistar minhas coisas, não precisar de homem. (Excerto do Vídeo 8).

Observa-se que as catadoras possuem o papel de provedoras do sustento das suas famílias, uma vez que, a partir do trabalho na cooperativa, adquiriram sua independência financeira, assim como a própria conquista dos seus pertences, sem depender de terceiros, como salienta uma cooperada no trecho “consegui conquistar minhas coisas, não precisar de homem” e outra ao apontar que: “trabalhando na cooperativa eu conquistei a minha casa, conquistei meus objetivos, né, o sustento dos meus filhos”.

Segundo Akotirene (2019), o entendimento de interseccionalidade pode ajudar a compreender o quanto as relações opressivas de raça, gênero e classe social sobrecarregam as mulheres, uma vez que essa abordagem possibilita analisar de forma crítica e integrada os modos de enfrentamento no que se refere à discriminação em suas diversas dimensões. Nessa perspectiva, entende-se que a cooperativa de reciclagem passa a ser uma via de acesso para o empoderamento feminino (Cineglaglia et al., 2021, Simon e Boeira, 2017), em que as mulheres mostram não depender dos seus parceiros, ou seja, há evidências de superação do papel de subordinação e o fortalecimento da autoestima (Roso e Romanini, 2014), tornando-se um espaço protetor para a saúde mental (Barata, 2009) e proporcionando o desenvolvimento econômico e o protagonismo do gênero feminino na sociedade (Ferreira et al., 2023). A interseccionalidade manifesta-se aqui na junção de todas essas conquistas femininas, por meio das lutas diárias contra as multiplas camadas de discriminação que, muitas vezes, conforme Simon e Boeira (2017), é naturalizada pela sociedade, apesar de causar inumeras formas de sofrimento a essas mulheres, como a sobrecarga e a baixa autoestima (Akotirene, 2019).

Também é enfatizada a possibilidade de progressão de cargo/função:

Comecei aqui na cooperativa na parte da triagem, ajudava bastante como coletora no caminhão, trabalhei na prensa, na produção com as gurias, passei a coordenadora, depois passei para gestora [...] A gente vai crescendo aos poucos, né. (Excerto do Vídeo 6).

De acordo com Barata (2009), o gênero feminino tende a ter menores chances de progressão de carreira, quando comparado ao masculino, facilitando a prevalência de problemas psicológicos e emocionais. Nesse sentido, ao considerar esta narrativa, pode-se reconhecer a cooperativa como um ambiente de possibilidades, em que a perspectiva de crescimento em relação à função exercida é acessível às mulheres, independente de sua raça, identificação de gênero ou classe social (Akotirene, 2019).

3.3 Rede de apoio como mecanismo de proteção para as desigualdades sociais

Uma das narrativas aborda as relações interpessoais entre as catadoras, definindo a cooperativa como sua “segunda família”: “[...] Aqui nós somos né, aqui é a nossa segunda família [...] mas aqui uma fortalece a outra, uma ajuda a outra”, da mesma forma, duas catadoras dão ênfase às suas relações na cooperativa, destacando a ajuda e o acolhimento das demais mulheres:

Desde que eu comecei na cooperativa eu… melhorou meu autoestima, porque eu ficava só em casa, daí eu comecei a trabalhar, assim, as “guria” tudo se ajudando, muito bom. (Excerto do Vídeo 4).
Quando eu entrei na cooperativa, mudou muito a minha vida, né, porque eu recém tive uma “perca” muito grande e aqui eles me acolheram bastante [...] O momento mais marcante na cooperativa foi quando eu entrei, quando as meninas me acolheram aqui, né. (Excerto do Vídeo 5).

Nos relatos, as cooperadas referem-se a situações e a sentimentos gerados por uma rede de apoio. Tais evidências corroboram com Paiva (2017), para o qual a cooperativa de reciclagem pode servir como contexto para fortalecer vínculos de afetividade e reciprocidade.

Segundo Brito e Koller (1999), a rede de apoio é desenvolvida por meio da criação de vínculos sociais de afetividade, os quais foram identificados pela forma como as catadoras se referem às outras, reconhecendo a importância do suporte recebido e demonstrando que a relação na cooperativa transcende o caráter apenas funcional de trabalho. A rede de apoio também permite que conhecimentos, vivências e estratégias de luta sejam compartilhadas pelas catadoras (Brito e Koller, 1999; Paiva, 2017). Logo, a cooperativa torna-se um dos principais fatores para a resiliência, como um mecanismo de proteção às desigualdades e preconceitos sociais, construindo ferramentas para que essas mulheres, juntas, enfrentem multiplas formas de opressão, como estigmas sociais e discriminação (Brito e Koller, 1999; Akotirene, 2019).

Compreende-se, portanto, a importância do papel que o contexto da cooperativa proporciona às catadoras, fazendo dessas mulheres protagonistas de suas próprias histórias, as empoderando em sua trajetória.

Considerações finais

O objetivo deste trabalho foi analisar o protagonismo feminino no contexto de uma cooperativa de reciclagem, localizada em Canoas/RS. Buscou-se compreender como a cooperativa serviu como um agente promotor do empoderamento feminino. Como resultado da análise, foi possível identificar a cooperativa estudada como um local que acolhe a diversidade de pessoas, e diferentes histórias pregressas das catadoras apresentadas. Além disso, houveram evidências de acolhimento à diversidade ao incluir novos membros em seu grupo, estando coerente com o princípio da igualdade, caro à economia solidária.

A partir das análises, há evidências de que a cooperativa estudada pode estar servindo como uma via de acesso para o empoderamento feminino, uma vez que identificou-se indícios de superação do papel de subordinação e do fortalecimento da autoestima, tornando-se, nesse sentido, um espaço protetor para a saúde mental, proporcionando o desenvolvimento econômico, o empoderamento e o protagonismo do gênero feminino no contexto analisado.

Torna-se necessário apresentar algumas limitações do estudo. Questiona-se se, de fato, todas as 18 cooperadas responderiam tão favoravelmente ao papel da cooperativa em suas vidas, caso fossem entrevistadas. Outrossim, a maneira como os vídeos foram realizados podem ter sofrido do viés de desejabilidade social, pelo caráter institucional apresentado na conta do Instagram da cooperativa. Além disso, outros aspectos como união entre os membros, aceitação e apoio de problemas de saúde física e mental de colegas de trabalho, modo de lidar com conflitos, ambivalências e críticas não foram abordados, podendo ser foco em futuros estudos. E mais, caso as participantes estivessem sendo entrevistadas em um local reservado, com cuidados éticos que garantissem o anonimato, a partir de um bom raport e setting de entrevista, certamente os dados seriam mais aprofundados e haveria maior oportunidade para que aspectos negativos presentes no dia-a-dia da cooperativa fossem explicitados, conduzindo a uma análise mais realística.

Apesar destes aspectos, observa-se evidências de relatos de situações e sentimentos gerados pela construção de uma rede de apoio na cooperativa, o que pode indicar a criação de vínculos sociais de afetividade. Ao promover maior quantidade de recursos de enfrentamento individual e coletivo, eleva-se a satisfação no e pelo trabalho e há oportunidade de melhoria da saúde mental. Desse modo, compreende-se a importância do papel que o contexto inclusivo de uma cooperativa de reciclagem pode proporcionar às catadoras, oportunizando às mulheres tornarem-se protagonistas de suas próprias histórias e as empoderando em sua trajetória.

Referências

» Akotirene, C. (2019). Interseccionalidade. Pólen.

» Andrade, M. T. (2023). O Trabalho dos Catadores e as Ambivalências da Economia Solidária. Contemporânea. Revista de Ética e Filosofia Política, 3(4). Disponível em: https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/619

» Anuário da Reciclagem (2024). Anuário da Reciclagem 2024. Disponível em: https://anuariodareciclagem.eco.br/. Acesso em: 26 out. 2025.

» Barata, R. B. (2009). Relações de gênero e saúde: desigualdade ou discriminação: Como e por que as desigualdades fazem mal à saúde? Fiocruz. (Ebook) Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/48z26/pdf/barata-9788575413913.pdf

» Bispo Júnior, J. P. (2022). Viés de desejabilidade social na pesquisa qualitativa em saúde. Revista de Saúde Pública, 56, 101. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2022056004164

» Braun, V. e Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 77–101. Disponível em: https://psycnet.apa.org/record/2006-06991-002

» Brito, R. e Koller, S. H. (1999). Desenvolvimento humano e redes de apoio social e afetivo. In A. M. Carvalho (Org.), O mundo social da criança: Natureza e cultura em ação, 115–129. Casa do Psicólogo.

» Cineglaglia, M. N., Miranda, M. G., Friede, R. e Cavalcanti, M. T. (2021). Desafios do empreendedorismo feminino. LexCult: Revista Eletrônica de Direito e Humanidades, 59–76. Disponível em: http://lexcultccjf.trf2.jus.br/index.php/LexCult/article/view/544

» Ferreira, A. C. X. D., Silva, R. B. e Silva., R. M. A. (2023). Mulheres catadoras de materiais recicláveis: Condições de vida, trabalho e estratégias organizativas no Brasil. Economia solidária e Políticas Públicas: Mercado de trabalho, 75, 1–14. Disponível em: https://bit.ly/3V8Y49D

» Gross, A., Borges, M. L. e Graebin, C. M. G. (2015). Trajetória do cooperativismo e a economia solidária. In R. H. Scholz e M. L. Borges (Orgs.), Práticas sociais na economia solidária: tecendo experiências e pesquisas sobre incubação, 1, 227–242). Editora Unilasalle.

» Hanashiro, D. M. M. e Carvalho, S. G. (2013). Diversidade cultural: Panorama atual e reflexões para a realidade brasileira. Revista Eletrônica de Administração, 11(5). Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/read/article/view/40623

» Instituto Nacional do Seguro Social [INSS] (2024). Quais os direitos previdenciários do trabalhador cooperado? Disponível em: https://www.gov.br/inss/pt-br/noticias/quais-os-direitos-previdenciarios-do-trabalhador-cooperado Acesso em: 26 out. 2025

» Kozinets, R. (2014). Netnografia: Realizando pesquisa etnográfica online. Penso.

» Paiva, C. C. (2017). Mulheres catadoras: Articulação política e ressignificação social através do trabalho. Ideias, 7(2), 151–174. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/ideias/article/view/8649500

» Polivanov, B. B. (2013). Etnografia virtual, netnografia ou apenas etnografia? Implicações dos conceitos. Esferas, 3, 61–71. Disponível em: https://ufprvirtual.ufpr.br/pluginfile.php/1675495/mod_folder/content/0/etnografia%20virtual.pdf

» Roso, A. e Romanini, M. (2014). Empoderamento individual, empoderamento comunitário e conscientização: Um ensaio teórico. Psicologia e Saber Social, 3(1), 83–95. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/psi-sabersocial/article/view/12203

» Silva, V. F. e Wanderley, S. (2022). Aproximações entre a metodologia da investigação temática e a abordagem decolonial: uma proposta para a área dos Estudos Organizacionais. Cadernos EBAPE.BR, 20(4), 514-524. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cebape/a/Ckxv6CH95mQz39ZchVxJBBD/?format=pdf

» Simon, V. P. e Boeira, S. L. (2017). Economia social e solidária e empoderamento feminino. Ciências Sociais em Revista, 53(3), 532–542. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/csr/article/view/csu.2017.53.3.13

» Soares, S. S. D. e Stengel, M. (2021). Netnografia e a pesquisa científica na internet. Psicologia USP, 32. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusp/a/W5cDdNM99Bk9btBs6ffx45G

» Souza, A. C. S., Martins, K. S., Silveira, R. C., Barbosa, M. V. e Moura, R. G. (2020). O valor da diversidade nas organizações: Um mero discurso ou uma experiência efetiva. Revista Valore, 5. Disponível em: https://revistavalore.emnuvens.com.br/valore/article/view/8711

» Souza, A. R. de. (2011). Um exame da economia solidária. Otra Economía, 5(9), 173–184. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/otraeconomia/article/view/otra.2011.59.05