A influência do Colonialismo Francês na Doutrina de Segurança Nacional*
Palabras clave:
doutrina francesa, doctrina de segurança nacional, colonialismo frances, argelia, circulação de ideiasResumen
A cidade de Argel ficou conhecida como Meca dos revolucionários, por ter sido
um ecossistema intelectivo, onde redes intelectuais circulavam ideias revolucionárias de
libertação nacional e antifascismo. Neste artigo, eu analiso um outro fenômeno de circulação
de ideias, relacionado com a Revolução Argelina: a influência da doutrina francesa de guerra
moderna na doutrina de segurança nacional aplicada nas ditaduras sul-americanas. Qual a
influência da doutrina francesa de guerra moderna, forjada pelo colonialismo francês, na
concepção de Doutrina de Segurança Nacional, das ditaduras civis-militares na América do
Sul? Como foi o processo de circulação de ideias que possibilitou essa influência? Através
de livros autobiográficos e entrevistas tive acesso a um mundo nebuloso, onde homens das
sombras, circulavam como adidos militares, como o francês Paul Aussaresses que, a partir
de 1961, deu cursos em Fort Bragg, Fort Benning (EUA) e foi adido militar no Brasil de
1973 a 1976. Busquei interpretar as fontes elencadas, entre elas o livro do Coronel Trinquier
e panfletos de vulgarização da doutrina francesa no Brasil, além do filme A Batalha de
Argel, que foi utilizado como material didático pelos adidos franceses. O terror colonial de
herança francesa circulou suas ideias, que foram reelaboradas e aplicadas como terror de
estado e doutrina de segurança nacional, aqui em Nuestra America. A doutrina francesa
também serviu de know-how básico para a agressão imperialista dos Estados Unidos ao povo
do Vietnã, tudo amalgamado pelo anticomunismo que mobilizava o ocidente em plena
Guerra Fria.
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