Territórios de convergência
Os desafios da construção autogestionária entre o movimento camponês e a economia solidária
DOI:
https://doi.org/10.67215/otraeconomia.1480Palavras-chave:
autogestão, feira, movimento camponêsResumo
O presente artigo analisa os desafios da construção autogestionária em uma feira de economia solidária a partir da inserção de camponeses sem-terra, em São Carlos (SP), em um coletivo já estruturado. O estudo discute a economia solidária como alternativa à racionalidade de mercado e como espaço de resistência e experimentação social. Adota abordagem qualitativa, com observação e registros de reuniões realizados no âmbito de uma incubadora universitária, responsável pela organização da feira. A análise evidencia tensões entre culturas organizativas distintas, expressas em dificuldades normativas, diferenças de gestão e conflitos simbólicos. As mudanças associadas à inserção foram observadas nas reuniões e no cotidiano da comercialização, especialmente na pactuação de regras e na construção de um arranjo híbrido. Nesse processo, verificou-se a incorporação progressiva de princípios solidários pelos camponeses e a estabilização de mecanismos de governança capazes de sustentar a feira como território de convergência entre campo e cidade. A experiência resultou em maior articulação política, ampliação da oferta de produtos, geração de renda e consolidação de vínculos cooperativos. Conclui-se que a autogestão, mais do que um modelo, constitui um processo formativo e disputado, cuja efetivação depende do reconhecimento mútuo, do diálogo entre culturas organizativas e da capacidade coletiva de ajustar regras.
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