Os excluídos da Nova República: equivalências bolsonaristas entre o olavismo de Abraham Weintraub e o ultraliberalismo de Paulo Guedes
Palabras clave:
BOLSONARISMO, NOVA REPÚBLICA, OLAVO DE CARVALHO, ULTRALIBERALISMOResumen
Este artigo analisa as proximidades e as diferenças discursivas de dois atores
políticos atrelados ao bolsonarismo e provenientes de identidades particulares distintas:
Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação influenciado por Olavo de Carvalho, e Paulo
Guedes, ex-ministro da Economia influente em círculos ultraliberais. Em outras palavras,
nosso intuito consiste em investigar a articulação equivalencial de uma identidade coletiva
bolsonarista que coesionou, dentre outras, as agendas dos ultraliberais e dos olavistas. Neste
exercício exploratório, contamos com a abordagem do discurso proposta pelo teórico
argentino Ernesto Laclau a fim de examinar entrevistas, discursos de posse, conferências e
declarações públicas dos dois ex-ministros. Observamos que, embora os discursos estejam
ancorados em perspectivas filosóficas e ideológicas distintas, as demandas dos ultraliberais e
dos olavistas convergiram na comum oposição ao sistema da Nova República, cujo comando
principal coube aos governos petistas. Ao mesmo tempo, os atores da denominada “Nova
Direita” foram construindo discursivamente um povo brasileiro excluído do “sistema”,
vitimado pelas elites políticas e econômicas e agredido em seus valores. Com um antagonista
em comum e construindo as equivalências discursivamente, a compatibilização do projeto
ultraliberal de reestruturação da economia com a eliminação da hegemonia cultural
esquerdista foi sendo articulada em torno da identidade coletiva bolsonarista.
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