Os excluídos da Nova República: equivalências bolsonaristas entre o olavismo de Abraham Weintraub e o ultraliberalismo de Paulo Guedes

Autores/as

  • Arthur SALOMÃO Doutorando em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Palabras clave:

BOLSONARISMO, NOVA REPÚBLICA, OLAVO DE CARVALHO, ULTRALIBERALISMO

Resumen

Este artigo analisa as proximidades e as diferenças discursivas de dois atores
políticos atrelados ao bolsonarismo e provenientes de identidades particulares distintas:
Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação influenciado por Olavo de Carvalho, e Paulo
Guedes, ex-ministro da Economia influente em círculos ultraliberais. Em outras palavras,
nosso intuito consiste em investigar a articulação equivalencial de uma identidade coletiva
bolsonarista que coesionou, dentre outras, as agendas dos ultraliberais e dos olavistas. Neste
exercício exploratório, contamos com a abordagem do discurso proposta pelo teórico
argentino Ernesto Laclau a fim de examinar entrevistas, discursos de posse, conferências e
declarações públicas dos dois ex-ministros. Observamos que, embora os discursos estejam
ancorados em perspectivas filosóficas e ideológicas distintas, as demandas dos ultraliberais e
dos olavistas convergiram na comum oposição ao sistema da Nova República, cujo comando
principal coube aos governos petistas. Ao mesmo tempo, os atores da denominada “Nova
Direita” foram construindo discursivamente um povo brasileiro excluído do “sistema”,
vitimado pelas elites políticas e econômicas e agredido em seus valores. Com um antagonista
em comum e construindo as equivalências discursivamente, a compatibilização do projeto
ultraliberal de reestruturação da economia com a eliminação da hegemonia cultural
esquerdista foi sendo articulada em torno da identidade coletiva bolsonarista.

Referencias

Barrett, M. (1996). Ideologia, política e hegemonia: de Gramsci a Laclau e Mouffe. In: Zizek, S. (org.).

Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

Betim, F. (2018, 27 de agosto). Paulo Guedes: “Bolsonaro representa a classe média, agredida e

abandonada pela esquerda”. El País, Rio de Janeiro. Disponível em:

<https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/23/politica/1534995588_943964.html>.

Burity, J. A. (2008). Discurso, política e sujeito na teoria da hegemonia de Ernesto Laclau. In: Mendonça,

D; Rodrigues, L.P. (org.). Pós-estruturalismo e teoria do discurso: em torno de Ernesto Laclau. Porto

Alegre: EdiPUCRS, p. 59-74.

Chaloub, J. (2022). Uma obra entre o reacionarismo e o conservadorismo: o pensamento de Olavo de

Carvalho. DoisPontos, 19(2).

Constantino, R. (2019, 18 de março). O que pretende Paulo Guedes ao dizer que Olavo de Carvalho é “o

líder da revolução”?. Gazeta do Povo. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigoconstantino/artigos/o-que-pretende-paulo-guedes-ao-dizer-que-olavo-de-carvalho-e-o-lider-darevolucao/>.

Gaspar, M. (2018). O fiador: a trajetória e as polêmicas do economista Paulo Guedes, o ultraliberal que se

casou por conveniência com Jair Bolsonaro. Revista Piauí, 144.

Guedes, P. (2017, 9 de outubro). Das ruas às urnas. Jornal O Globo.

Guedes, P. (2019). Cerimônia de transmissão de cargo ao Ministro da Economia, Paulo Guedes. [Vídeo].

YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=jgHueV_kZJc

InfoMoney. (2018, 24 de maio). ENTREVISTA: Alckmin é “irrelevante” e centro terá que escolher quem

apoiará no 2º turno, diz Paulo Guedes. Disponível em:

<https://www.infomoney.com.br/politica/entrevista-alckmin-e-irrelevante-e-centro-tera-que-escolherquem-apoiara-no-2o-turno-diz-paulo-guedes/>.

Kalil, I. (2018). Quem são e no que acreditam os eleitores de Jair Bolsonaro. Relatório de Pesquisa. São

Paulo: Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Laclau, E. (2005). La razón populista. Buenos Aires: Fondo de cultura Económica.

Laclau, E., & Mouffe, C. (2004). Hegemonía y estrategia socialista: hacia una radicalización de la

democracia. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica de Argentina.

Marchart, O. (2009). El pensamiento político posfundacional: La diferencia política en Nancy, Lefort,

Badiou y Laclau. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica.

Mendonça, D. (2009). Como olhar “o político” a partir da teoria do discurso. Revista Brasileira de Ciência

Política, n. 1, p. 153-169.

Motta, R. P. S. (2021). Anticomunismo, antipetismo e o giro direitista no Brasil. In: Bohoslavsky, E.,

Motta, R. P. S., & Boisard, S. Pensar as direitas na América Latina. São Paulo: Alameda.

Ortellado, P., Solano, E., & Nader, L. (2015). Pesquisa manifestação política 16 de agosto de 2015.

Disponível em: <https://www.monitordigital.org/>.

Pierucci, A. F. (1987). As bases da nova direita. Novos estudos CEBRAP, 19(3), p. 26.

Rocha, C. (2019). “Menos Marx, mais Mises”: uma gênese da nova direita brasileira (2006-2018). [Tese

de Doutoramento, Universidade de São Paulo]. Biblioteca Digital USP. Disponível em:

<https://doi.org/10.11606/T.8.2019.tde-19092019-174426>.

Stefanoni, P. (2022). A rebeldia tornou-se de direita?: como o antiprogressismo e a anticorreção política

estão construindo um novo sentido comum (e por que a esquerda deveria levá-los a sério). Campinas,

SP: Editora da Unicamp.

Teitelbaum, B. (2020) Guerra pela eternidade: o retorno do Tradicionalismo e a ascensão da direita

populista. Campinas, SP: Editora da Unicamp.

Teixeira, L. B. (2019, 4 de julho). "Somos 200 milhões de trouxas explorados", diz Paulo Guedes sobre o

Brasil. Economia, Portal UOL. Disponível em:

<https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/07/04/ministro-paulo-guedes-dia-pop-star-sp.htm>.

Weintraub, A. (2019). Palestra para o CPAC Brasil 2019. [Vídeo]. YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=ysSiSTBCG1w

Weintraub, A. (2020a). Um raio x da República Brasileira. [Vídeo]. YouTube.

https://www.youtube.com/watch?v=EYERdWOF0ws

Weintraub, A. (2020b). Reunião ministerial de 22 de abril. Brasília. Disponível em:

<https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2020/05/laudo-digitalizado_220520201218.pdf>

Descargas

Publicado

2026-02-11

Número

Sección

Dossier

Cómo citar

Os excluídos da Nova República: equivalências bolsonaristas entre o olavismo de Abraham Weintraub e o ultraliberalismo de Paulo Guedes. (2026). Wirapuru, 8. https://revistas.ungs.edu.ar/index.php/wirapuru/article/view/1393