Capitalismo sui generis e a tradutibilidade do marxismo na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.67215/wirapuru.1544Palavras-chave:
marxismo, América Latina, tradutibilidade, formação social, EstadoResumo
O ímpeto universalista do materialismo histórico diretamente vinculado à lógica expansionista do capital e ao projeto emancipatório socialista não raramente foi equivocadamente convertido em cosmopolitismo, universalismo abstrato. Na América Latina, a aclimatação do marxismo a formações sociais tão complexas demorou a iniciar, limitação esta que vitimou mesmo os seus pais fundadores e facilitou a sua equivocada e mal-intencionada rotulação enquanto um pensamento irremediavelmente eurocêntrico. Na contramão dessa tendência, o marxismo perde o seu exotismo na exata medida em que se processa a sua tradutibilidade, conforme apontou Gramsci. Neste sentido, apresentaremos a positividade do vínculo do marxismo com o nacional-popular, capacitando-o a mobilizar categorias necessárias para se desbravar esse terreno movediço. Marx, na esteira de Aricó, é apresentado como aquele que, apesar de equívocos, apontou caminhos úteis ao rever sua perspectiva de história e sujeito histórico provenientes do Manifesto em seus escritos sobre Irlanda e Rússia. Por fim, ancoramo-nos em Lechner e Zavaleta para defender a tese de que um prisma estadocêntrico é impreterível para a inteligibilidade do capitalismo na região.
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