A experiência da exiliance na escrita autoficcional
Sylvia Molloy, uma pós-exílica avant la lettre
DOI:
https://doi.org/10.67215/wirapuru.1553Palavras-chave:
Pós-exílio, autoficção, performatividade, transfronteira, mobilidadesResumo
Este artigo examina como a autoficção em chave pós-exílica opera como um dispositivo performativo para a produção de uma subjetividade plural e móvel. Diferentemente da literatura migrante tradicional de caráter binário–centrada na aflição pela expatriação e na perda territorial ou cultural–, a literatura pós-exílica tramita e habita novas formas de estrangeiridades ontológicas. Nesse marco, a origem identitária deixa de funcionar como referência fixa para converter-se em um elemento instável e reconfigurável no próprio ato de escrita. A ênfase desloca-se da falta de enraizamento para a apropriação e o agenciamento do diverso. A partir disso, analisa-se de que modo três obras de Sylvia Molloy abordam mediações, multiplicidades e descontinuidades vinculadas ao fenômeno de exiliance. Igualmente, como se forma uma figura autoral cuja práxis não apenas extrapola estruturas linguísticas, geográficas e culturais hegemônicas, mas produz novas cartografias relacionais e dissidentes. Essa perspectiva distancia-se do cosmopolitismo clássico entendido como superação de cânones nacionalistas, para pensar uma modalidade de ser e criar atravessada pela mobilidade, pela tensão e pelo descentramento; crucial em um contexto marcado pela persistência de discursos de clausura, homogeneização e retraimento identitário.
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