Tensões em torno da remuneração do trabalho nas organizações de intermediação solidária
Palavras-chave:
Valorização do trabalho, Trabalho cooperativo, Economia Social e SolidáriaResumo
No domínio da Economia Social e Solidária (ESS) e, em particular, nas cooperativas de trabalho, surgem constantemente debates em torno da organização colectiva do trabalho: como é distribuído, quanto tempo lhe é dedicado, que tipo de tarefas são realizadas, quais e como são remuneradas, entre outras questões. A singularidade reside no facto de sermos organizações com liberdade interna para pensar e institucionalizar estas decisões, nos encontramos num terreno muito rico em experiências, histórias e aprendizagem.
Dentro deste universo, limitamos o campo de estudo às organizações de intermediação solidária alimentar (OIS) para abordar a tensão entre trabalho remunerado e não remunerado. Perguntamo-nos como se manifesta esta tensão, que significado é atribuído ao trabalho não remunerado e como estes grupos têm gerido o problema ao longo do tempo. Para tal, sustentamos que no domínio da ESS existe uma tendência para remunerar tarefas que antes não eram remuneradas, mas que ainda existe uma componente de trabalho voluntário cuja motivação dominante poderá ser a orientação política, dando um sentido “militante” a essa prática.
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