O espaço paradoxal da academia latino-americana: pensamento aprisionado, pensamento que aprisiona?

Autores/as

  • Viviane De Melo Resende Universidade de Brasília, Departamento de Linguística

Palabras clave:

Colonialidade do saber, epistemicídio, racialização, branquitude

Resumen

Como acadêmicas latino-americanas, movemo-nos num espaço paradoxal: um espaço de subordinação na produção de conhecimento acadêmico internacional e um espaço de privilégio na produção de conhecimento local. Muitas vezes somos brancas, ocupando posições de poder em sociedades racializadas, e frequentemente das classes médias e, então, não raro reproduzimos –intencionalmente ou não, conscientemente ou não– a lógica de raça e classe do poder colonial em nossos contextos locais, ao mesmo tempo que lutamos para encontrar reconhecimento no meio acadêmico internacional, criticando a colonialidade da qual nos beneficiamos “em casa” na forma de privilégio. Devemos nos questionar sobre esse lugar de onde falamos e como o pertencimento institucional nos coloca de saída em interlocuções várias: com movimentos sociais na posição de pesquisadoras, com estudantes na posição de professoras, etc. Que uso fazemos dos poderes simbólicos que nos são atribuídos?

Biografía del autor/a

  • Viviane De Melo Resende, Universidade de Brasília, Departamento de Linguística

    Professora Associada da Universidade de Brasília, Departamento de Linguística. Diretora do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares. Coordenadora do Núcleo de Estudos de Linguagem e Sociedade. Vice-presidenta da Associação Latino-Americana de Estudos do Discurso. Editora das revistas Discurso & Sociedad e RALED.

Referencias

bell hooks (2017). Ensinando a transgredir. São Paulo: Martins Fontes.

Bernardino-Costa, J. & R. Grosfoguel (2016). “Decolonialidade e perspectiva negra”. Sociedade e Estado, 31 (1), pp. 15-24.

Carneiro, Sueli (2011). Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro.

Dijk, T. van (2008). Discurso e poder. São Paulo: Contexto.

Fanon, F. (2008). Pele negra máscaras brancas. Salvador: UFBA.

Freire, P. (2017). Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra.

Gonzalez, Lélia (2020). Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar.

Gordon, L. (2008). “Prefácio”. In: Fanon, F. Pele negra máscaras brancas. Salvador: UFBA.

Kilomba, Grada (2019). Memórias da plantação. Rio de Janeiro: Cobogó.

Maldonado-Torres, N. (2007). “On the coloniality of being: contributions to the development of a concept”. Cultural Studies, 21, pp. 240-70.

Munduruku, D. (2008). Outras tantas histórias indígenas de origem das coisas e do universo. São Paulo: Global.

Nascimento, W. (2017). “Epistemologias do Sul e o estudo da pobreza”. In: Resende, V. M. & R. B. Silva, Diálogos sobre resistência: organização coletiva e produção do conhecimento engajado. Campinas: Pontes, pp. 11-28.

Ribeiro, Djamila (2018). Conferência “Diversidade cultural e de gênero no Brasil: a construção de uma sociedade democrática e fraterna e o respeito às diferenças”, no âmbito dos Diálogos Contemporâneos, 18 de abril.

Quijano, A. (2000). “Colonialidad del poder y clasificación social”. Journal of World-Systems Research, 6 (2), 2000, pp. 342-86.

Schwarcz, L. & H. Starling (2015). Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras.

Publicado

2026-02-18

Número

Sección

Ensayos

Cómo citar

O espaço paradoxal da academia latino-americana: pensamento aprisionado, pensamento que aprisiona?. (2026). Wirapuru, 2, 74-80. https://revistas.ungs.edu.ar/index.php/wirapuru/article/view/1457