Corporalidades em diálogo intergeracional: pedagogia da beleza e perspectivas das crianças sobre práticas depilatórias
Palavras-chave:
infância, corporalidade, depilação, pedagogia da beleza, interseccionalidadeResumo
O estudo analisa práticas depilatórias e significados atribuídos aos pelos corporais por crianças de 6 a 12 anos em salões de beleza do Distrito Federal, Brasil. Objetiva compreender como estas crianças constroem significados sobre seus pelos, como a depilação influencia suas autoimagens e quais estratégias utilizam para lidar com normas estéticas. A metodologia empregou pesquisa etnográfica em três salões de diferentes contextos socioeconômicos (Asa Norte, Asa Sul e Ceilândia), utilizando abordagens participativas, diálogos espontâneos e atividades lúdicas. Teoricamente, baseia-se na compreensão do corpo como artefato cultural, dialogando com os Estudos sociais das infâncias que reconhecem as crianças como sujeitos plurais e atravessados por desigualdades estruturais. Os resultados revelaram uma “pedagogia da beleza” que movimenta valores sobre os corpos infantis; dinâmicas contraditórias entre adultos e crianças; intersecções de marcadores sociais como raça, classe e gênero nas experiências corporais; bullying e vergonha como motivadores para depilação; e a agência das crianças como atores sociais que não apenas recebem passivamente, mas interpretam, ressignificam e produzem as práticas corporais em diálogo com as expectativas adultas, evidenciando formas de resistência e negociação dos padrões estéticos impostos.
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